1 de jul de 2010

Nasce de você a revolução!


Está mais do que provado do que a juventude de hoje em dia não está nem um pouco preocupada com os problemas atuais do mundo, principalmente quando se diz respeito à política e ao meio ambiente. Na maioria das vezes, pensamos que por sermos jóvens não devemos nos meter em assuntos dessa dimensão, talvez nem seja nossa culpa, nascemos numa época em que as terríveis guerras mundias e ditaduras já haviam acabado então não sentimos na pele o quanto é ruim ser controlado (na verdade ainda somos, mas nem todos percebem). É como se os problemas existêntes não estivessem ao nosso alcance. Não estou dizendo para virarmos adultos e parar de curtir a vida, pelo contrário, há um bom tempo atrás a juventude (hoje mais ou menos da idade de nossos pais) mostrou que podiam sim fazer algo que gostassem e ao mesmo tempo gritar por mudança.

Estou falando da Tropicália, um movimento que sacudiu as estruturas da música popular brasileira entre 1967 e 1968. Era uma mistura de Rock psicodélico, Bossa Nova e Samba com letras críticas e descontraídas. Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e Os Mutantes eram destaque na época.
Por mais que tivesse tudo parar durar, a Tropicália durou apenas um ano e alguns meses. Começou a perder força com a prisão de Gilberto Gil e Caetano Veloso, que foram reprimidos pela censura imposta pelo governo militar.
Músicas como Alegria Alegria e Tropicália de Caetano Veloso e Panis et Circenses do grupo Os Mutantes fizeram muito sucesso entre a juventude. Mas uma que (na minha opinião) melhor expressa o sentimento das pessoas em relação à tudo o que estava acontecendo na época é a famosa Pra Não Dizer que Não Falei das Flores de Geraldo Vandré:

Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Caminhando e cantando
E seguindo a canção...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...
Pelos campos há fome
Em grandes plantações
Pelas ruas marchando
Indecisos cordões
Ainda fazem da flor
Seu mais forte refrão
E acreditam nas flores
Vencendo o canhão...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...
Há soldados armados
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Uma antiga lição:
De morrer pela pátria
E viver sem razão...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Somos todos soldados
Armados ou não
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não...

Os amores na mente
As flores no chão
A certeza na frente
A história na mão
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Aprendendo e ensinando

Uma nova lição...
Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer
...


O que quero dizer é que todos nós (não só os jovens) devemos parar de pensar que não temos poder para mudar algo no mundo e ir fazer alguma diferença, pois ninguém fará isso por nós. Não adianta ligar a TV e ficar reclamando de políticos corruptos se não levantarmos a bunda do sofá e irmos a luta por nossos direitos, não adianta ficarmos reclamando do sol quente, se ninguém se dá o trabalho de economizar energia ou recliclar, e não adianta reclamar da violência se não tentarmos plantar a paz e o amor em cada gesto que fizermos no dia-a-dia.

Mais informações sobre o Movimento Tropicalista em: http://tropicalia.uol.com.br/site/
Fica a dica :)

@liirawonders
@naanlemones
@gritopormudanca

Um comentário:

Jusara disse...

Oi Lili!

Que liiiiindo!

Não existe nada mais gostoso do que sentir o sangue correndo nas veias e oxigenando o cérebro. Ler nas entrelinhas, perceber o que não se quer mostrar, posicionar-se... é aí que está a verdadeira liberdade.

Estamos numa fase de calmaria, como outras que já existiram na história, e isso faz com que as pessoas pensem que não há nada a reinvindicar ou denunciar. Mas há e muito.

Continue assim e contagie os outros.

Parabéns, tenho o maior orgulho de vc.

bjs.
Jusara